Trabalhadores do MA serão ouvidos por comissão após denúncias de trabalho análogo à escravidão em SC
28/02/2026
(Foto: Reprodução) Comissão Estadual vai ouvir trabalhadores que denunciaram condições análogas à escravidão em Santa Catarina
Reprodução/TV Mirante
A Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Timon, a cerca de 450 km de São Luís, vai receber, na segunda-feira (2) e ouvir os 16 trabalhadores que denunciaram condições degradantes na colheita de maçãs em Santa Catarina. Uma Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo acompanha o caso.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Maranhão no WhatsApp
Cada trabalhador será ouvido individualmente. Os depoimentos e documentos reunidos poderão servir de base para ações administrativas e judiciais, caso as irregularidades sejam confirmadas. Segundo as denúncias, a empresa citada é uma das principais exportadoras de maçã do país.
Os trabalhadores afirmam que, todos os anos, a empresa recruta mão de obra do Nordeste para atuar na colheita.As investigações apontam que não é a primeira vez que há questionamentos sobre as condições de trabalho oferecidas.
A comissão fará o acompanhamento do caso e emitirá um parecer social e dará uma resposta aos trabalhadores que relataram situações análogas à escravidão. Um relatório será elaborado para verificar se houve violação de direitos e após a análise, a comissão vai definir as medidas cabíveis.
Como estão os trabalhadores?
Os 16 trabalhadores chegaram a Timon (MA) na sexta-feira (27). Eles passaram por avaliações de saúde, atendimentos médicos e acompanhamento psicossocial. O grupo denunciou condições de trabalho degradantes, problemas na alimentação e dificuldades para receber atendimento médico em Santa Catarina.
Um dos trabalhadores, Talisson Conceição de Carvalho, relatou que muitas pessoas adoeceram durante o trabalho. Segundo ele, alguns chegaram a cuspir sangue por causa da exposição à amônia. Ele também afirmou que parte do grupo voltou ao Maranhão sem ter os direitos garantidos.
“A gente foi induzido, a gente foi enganado em questão de salário, em questão de serviço, em questão do tratamento, né, o serviço, pode até falar assim, qualquer trabalho a gente faz para poder ganhar dinheiro, mas o destrato, o descaso e a falta de empatia que eles tiveram com a gente, nem na cadeia não está sendo tratado dessa forma.” afirmou Talisson Carvalho.
A Empresa Fischer Agroindústria informou que faz, no período da safra, a contratação de mão de obra de outros estados e que, ao longo dos anos, não há registro de relatos semelhantes aos que foram apresentados. A empresa afirmou ainda que cumpre rigorosamente a legislação trabalhista e que está em conformidade com os órgãos públicos de fiscalização.
Relembre outro caso
Sete pessoas morreram e outras 45 ficaram feridas em um acidente envolvendo um ônibus com trabalhadores rurais na Rodovia Transbrasiliana (BR-153) no trecho entre Ocauçu e Marília, no interior de São Paulo, na madrugada desta segunda-feira (16). Seis vítimas morreram no local e a sétima teve a morte confirmada durante internação.
Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, o veículo tombou depois que um dos pneus estourou. Antes de tombar, o motorista perdeu o controle do ônibus e o veículo saiu da pista.
Dos 45 feridos, 26 foram socorridos pelo Serviço Móvel de Urgência (Samu), 12 pelo policiamento da área, seis pelo Corpo de Bombeiros e um pela ambulância da concessionária.
Ônibus com trabalhadores rurais tomba na BR-153